sábado, 1 de novembro de 2014

Questões do Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (EAOAB) - Provas OAB

1 - Matheus é estagiário vinculado ao escritório Renato e Associados. No exercício da sua atividade, por ordem do advogado supervisor, o estagiário acompanha o cliente diretor da sociedade Tamoaí S/A. Por motivos alheios à vontade do estagiário, que se disse inocente de qualquer deslize, o diretor veio a se desentender com Matheus, e, por força desse evento, o escritório resolve renunciar ao mandato conferido pela pessoa jurídica.
Nos termos do Estatuto da Advocacia, sobre o caso descrito, assinale a afirmativa correta.
A) O advogado pode afastar-se do processo em que atua sem comunicação ao cliente.
B) A renúncia deve ser notificada ao cliente pelos advogados mandatários.
C) A renúncia aos poderes conferidos no mandato dependerá do cliente do escritório.
D) A renúncia ao mandato, sem respeitar o prazo legal, implica abandono da causa.

2 - Ao requerer sua inscrição nos quadros da OAB, Maria assinou e apresentou declaração em que afirmava não exercer cargo incompatível com a advocacia. No entanto, exercia ela ainda o cargo de Oficial de Justiça no Tribunal de Justiça do seu Estado. Pouco tempo depois, já bem sucedida como advogada, pediu exoneração do referido cargo. No entanto, um desafeto seu, tendo descoberto que Maria, ao ingressar nos quadros da OAB, ainda exercia o cargo de Oficial de Justiça, comunicou o fato à entidade, que abriu processo disciplinar para apuração da conduta de Maria, tendo ela sido punida por ter feito falsa prova de um dos requisitos para a inscrição na OAB.
De acordo com o EAOAB, assinale a opção que indica a penalidade que deve ser aplicada a Maria.
A) Maria não deve ser punida porque, ao tempo em que os fatos foram levados ao conhecimento da OAB, ela já não mais exercia cargo incompatível com a advocacia.
B) Maria não deve ser punida porque o cargo de Oficial de Justiça não é incompatível com o exercício da advocacia, não tendo Maria, portanto, feito prova falsa de requisito para inscrição na OAB.
C) Maria deve ser punida com a pena de suspensão, pelo prazo de trinta dias.
D) Maria deve ser punida com a pena de exclusão dos quadros da OAB.

3 - Cláudia, advogada, inicialmente transitou pelo direito privado, com assunção de causas individuais e coletivas. Ao ser contratada por uma associação civil, deparou com questões mais pertinentes ao direito público e, por força disso, realizou novos estudos e contatou colegas mais experientes na matéria. Ao aprofundar suas relações jurídicas, também iniciou participação política na defesa de temas essenciais à cidadania. Por força disso, Cláudia foi eleita prefeita do município X em eleição bastante disputada, tendo vencido seu oponente, o também advogado Pradel, por apenas cem votos. Eleita e empossada, motivada pelo sentido conciliatório, convidou seu antigo oponente para ocupar cargo em comissão na Secretaria Municipal de Fazenda.
A partir da hipótese apresentada, observadas as regras do Estatuto da OAB, assinale a opção correta.
A) A prefeita exerce função incompatível com a advocacia.
B) O secretário municipal pode atuar em ações contra o município.
C) A prefeita deve pedir autorização para exercer a advocacia.
D) O secretário municipal pode atuar em pleitos contra o Estado federado.

4 - O advogado Carlos pretende substabelecer os poderes que lhe foram conferidos pelo seu cliente Eduardo, sem reserva de poderes, pois pretende realizar uma longa viagem, sem saber a data do retorno, não pretendendo manter compromissos profissionais.
Nos termos das normas do Código de Ética, tal ato deve
A) prescindir do conhecimento do cliente por ser ato privativo.
B) ser comunicado ao cliente de modo inequívoco.
C) ser realizado por tempo determinado.
D) implicar na devolução dos honorários pagos antecipadamente pelo cliente.

5 - Sobre o prazo para ajuizamento de ação de cobrança de honorários de advogado, assinale a opção correta.
A) Prescreve em dois anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contando-se o prazo do vencimento do contrato, se houver.
B) Prescreve em cinco anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contando-se o prazo do trânsito em julgado da decisão que os fixar.
C) Prescreve em dois anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contando-se o prazo da ultimação do serviço extrajudicial.
D) Prescreve em cinco anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contando-se o prazo da decisão que os fixar, independentemente do seu trânsito em julgado.

6 - Maria, após vários anos de tramitação de ação indenizatória em que figurava como autora, decidiu substituir José, advogado que até então atuava na causa, por João, amigo da família, que não cobraria honorários de nenhuma espécie de Maria. Ao final da ação, quando Maria finalmente recebeu os valores que lhe eram devidos, a título de indenização, foi procurada por José, que desejava receber honorários pelos serviços advocatícios prestados até o momento em que foi substituído.
Sobre a hipótese sugerida, assinale a afirmativa correta.
A) José tem direito a receber a integralidade dos honorários contratuais e de sucumbência, como se tivesse atuado na causa até o final, uma vez que foi substituído por vontade da cliente e não sua.
B) José não tem direito a receber honorários, porque não atuou na causa até o seu fim.
C) José tem direito a receber honorários contratuais, mas não tem direito a receber honorários de sucumbência.
D) José tem direito a receber honorários contratuais, bem como honorários de sucumbência, calculados proporcionalmente, em face do serviço efetivamente prestado.

7 - Juarez da Silva, advogado, professor adjunto de Direito Administrativo em determinada Universidade Federal, foi procurado, na qualidade de advogado, por um grupo de funcionários públicos federais que desejavam ajuizar determinada ação contra a União.
Pode Juarez aceitar a causa, advogando contra a União?
A) Não. Juarez não pode aceitar a causa, pois está impedido de exercer a advocacia contra a Fazenda Pública que o remunera.
B) Sim. Juarez poderá aceitar a causa, pois o impedimento de exercício da advocacia contra a Fazenda Pública que remunera os advogados que são servidores públicos não inclui a hipótese de docentes de cursos jurídicos.
C) Sim. Juarez poderá aceitar a causa, pois não há nenhum tipo de impedimento para o exercício da advocacia por servidores públicos.
D) Não. Juarez não poderá aceitar a causa, pois exerce o cargo de professor universitário, que é incompatível com o exercício da advocacia.

8 - O advogado João foi contratado por José para atuar em determinada ação indenizatória. Ao ter vista dos autos em cartório, percebeu que José já estava representado por outro advogado na causa. Mesmo assim, considerando que já havia celebrado contrato com José, mas sem contatar o advogado que se encontrava até então constituído, apresentou petição requerendo juntada a procuração pela qual José lhe outorgara poderes para atuar na causa, bem como a retirada dos autos em carga, para que pudesse examiná-los com profundidade em seu escritório.
Com base no caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
A) O advogado João não cometeu infração disciplinar, pois apenas requereu a juntada de procuração e realizou carga dos autos do processo, sem apresentar petição com conteúdo relevante para o deslinde da controvérsia.
B) O advogado João cometeu infração disciplinar, não por ter requerido a juntada de procuração nos autos, mas sim por ter realizado carga dos autos do processo em que já havia advogado constituído.
C) O advogado João não cometeu infração disciplinar, pois, ao requerer a juntada da procuração nos autos, já havia celebrado contrato com José.
D) O advogado João cometeu infração disciplinar prevista no Código de Ética e Disciplina da OAB, pois não pode aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento do mesmo.

9 - Eugênio é advogado contratado pela empresa Ônibus e Ônibus Ltda. Na empresa ele é responsável pelas defesas em ações que pleiteiam o reconhecimento da responsabilidade civil da sua cliente e dos seus prepostos. O contrato de honorários venceu em 2010 e não foi renovado. Em dificuldades financeiras, a empresa não pagou os honorários devidos.
O termo inicial para a contagem do prazo para a prescrição da pretensão de cobrança dos honorários advocatícios, observado o disposto no Estatuto da Advocacia, ocorre a partir da
A) última tentativa de conciliação.
B) data fixada pelo Juiz.
C) última prestação de serviço.
D) data do vencimento do contrato.

10 - Joel é Conselheiro do Tribunal de Contas do Município J, sendo proprietário de diversos imóveis. Em um deles, por força de contrato de locação residencial, verifica a falta de pagamentos dos alugueres devidos. O Conselheiro é Bacharel em Direito, tendo exercido a advocacia por vários anos na área imobiliária.
Nesse caso, nos termos do Estatuto da Advocacia, o Conselheiro
A) poderia atuar como advogado em causa própria.
B) deverá contratar advogado para a causa diante da situação de incompatibilidade.
C) poderia advogar; recomenda-se, contudo, a contratação de advogado.
D) está com a sua inscrição como advogado suspensa.


11 - Cláudio, advogado com vasta experiência profissional, é contratado pela sociedade LK Ltda. para gerenciar a carteira de devedores duvidosos, propondo acordos e, em último caso, as devidas ações judiciais. Após um ano de sucesso na empreitada, Cláudio postula aumento nos seus honorários, o que vem a ser recusado pelos representantes legais da sociedade. Insatisfeito com o desenrolar dos fatos, Cláudio comunica que irá renunciar aos mandatos que lhe foram conferidos, notificando pessoalmente os representantes legais da sociedade que apuseram o seu ciente no ato de comunicação. Dez dias após, a sociedade contratou novos advogados, que assumiram os processos em curso. 
Observado tal relato, baseado nas normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa correta.
A) A comunicação da renúncia do mandato não pode ser pessoal, para evitar conflitos com o cliente.
B) A renúncia ao mandato deve ser comunicada ao cliente, preferencialmente mediante carta com aviso de recepção.
C) O advogado deve comunicar a renúncia ao mandato diretamente ao Juízo da causa, que deverá intimar a parte.
D) O advogado não tem o dever de comunicar à parte a renúncia ao mandato judicial ou extrajudicial.

12 - O advogado Mário celebrou contrato de honorários com seu cliente, para atuar em reclamação trabalhista. No contrato restou estabelecido que, em caso de êxito, ele receberia, a título de honorários contratuais, o valor de 60% do que fosse recebido pelo cliente, que havia sido dispensado pelo empregador e encontra-se em situação econômica desfavorável. 
A respeito do caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
A) Mário não cometeu infração disciplinar, uma vez que tendo celebrado contrato de honorários, ele pode cobrar de seu cliente o valor que entender compatível com o trabalho desenvolvido.
B) Mário não cometeu infração disciplinar, pois causas trabalhistas são muito complexas, justificando-se, assim, a cobrança de honorários elevados.
C) Mário violou dispositivo do Código de Ética e Disciplina da OAB, segundo o qual os honorários profissionais devem ser fixados com moderação.
D) Mário violou dispositivo do Código de Ética e Disciplina da OAB, que veda a cobrança de honorários profissionais com base em percentual do valor a ser recebido pela parte.

13 - Nos termos do Estatuto da Advocacia existe a previsão de pagamento de honorários advocatícios. Assinale a afirmativa que indica como deve ocorrer o pagamento, quando não houver estipulação em contrário. 
A) Metade no início e o restante parcelado em duas vezes.
B) Um terço no inicio, um terço até a decisão de primeira instância e um terço ao final.
C) Dez por cento no início, vinte por cento na sentença e o restante após o trânsito em julgado.
D) Cinquenta por cento no início, trinta por cento até decisão de primeiro grau e o restante após o recurso, se existir.

14 - Um jovem advogado inicia sua carreira em seu estado natal, angariando clientes em decorrência das suas raras habilidades de negociador. Com o curso do tempo, sua fama de bom profissional se espraia e, em razão disso, surgem convites para atuar em outros estados da federação. Ao contatar um cliente no Estado Y, distante mais de mil quilômetros do seu estado natal, é surpreendido pelas autoridades de Y, com determinação restritiva ao seu exercício profissional, por não ser advogado do local. 
A partir do exposto, nos termos do Estatuto da Advocacia, assinale a afirmativa correta. 
A) O advogado deve restringir o exercício profissional ao local em que obteve sua inscrição.
B) O advogado deve solicitar autorização a cada processo em que atuar fora do local de inscrição.
C) O advogado deve realizar Exame de Ordem em cada estado em que for atuar.
D) O advogado pode exercer sua profissão em todo o território nacional.

15 - Lara, advogada, é chefe do departamento jurídico da empresa Nós e Nós, que é especializada na produção de cordas. O departamento que ela coordena possui cerca de cem advogados. Dez deles resolvem propor ação judicial para reclamar direitos que são comuns a todos, inclusive à advogada chefe do departamento. 
Nos termos do Código de Ética, a advogada chefe do departamento deve
A) assumir a defesa da empresa, por força da relação de trabalho.
B) comunicar o fato à empresa e escusar-se de realizar a defesa.
C) indicar advogado da sua equipe para realizar a defesa.
D) renunciar ao cargo por impossibilidade de exercício do mesmo.

16 - Sávio, aluno regularmente matriculado em Escola de Direito, obtém a sua graduação e, logo a seguir, aprovação no Exame de Ordem. Por força de movimento grevista na sua instituição, o diploma não pode ser expedido. 
A respeito da inscrição no quadro de advogados, consoante as normas do Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, assinale a afirmativa correta. 
A) O diploma é essencial para a inscrição nos quadros da Ordem dos Advogados.
B) O bacharel, diante do impedimento de apresentar o diploma, deve apresentar declaração de autoridade certificando a conclusão do curso.
C) A Ordem, diante do movimento grevista comprovado, poderá acolher declaração de próprio punho do requerente afirmando ter obtido grau.
D) O bacharel em Direito deve apresentar certidão de conclusão de curso e histórico escolar autenticado.

17 - João é contratado para propor ação de cobrança pela sociedade M e P Ltda., sendo o valor da causa, correspondente ao débito, de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). Após iniciada a ação, mas antes do ato citatório, a sociedade autora vem a desistir da mesma. Houve contrato de honorários subscrito pelas partes aventando que, nesse caso, seriam devidos honorários fixos de R$ 10.000,00 (dez mil reais). A sociedade notificada regularmente não pagou os honorários.
Nesse caso, o prazo para a prescrição da ação de cobrança de honorários passa a contar da data
A) do trânsito em julgado da decisão judicial.
B) da desistência judicial formulada. 
C) do término do mandato judicial. 
D) da ultimação do serviço judicial. 

18 – Osvaldo é vereador do município “K” e ocupa cargo vinculado à Mesa da Câmara de Vereadores. Necessitando propor ação cominatória em face de seu vizinho Marcos, e sendo advogado, apresenta-se em Juízo postulando em causa própria.
Nos  termos  das  normas  estatutárias,  assinale  a  afirmativa  correta.
A) a função de membro do Poder Legislativo impede o advogado de atuar, mesmo em causa própria.
B) a eleição para a Mesa Diretora do Poder Legislativo impede o advogado de atuar, gerando uma incompatibilidade.
C) O mandato de vereador não se inclui dentre as situações de incompatibilidade, ocupe ou não cargo da Mesa Diretora.
D) As incompatibilidades dos membros do Poder Legislativo estão circunscritas aos integrantes do Senado e da Câmara dos Deputados Federal.

19 – Além de advogado, João é professor da Universidade pública “M”, com natureza de autarquia, onde exerce as funções de coordenador acadêmico da graduação do Curso de Direito. Diante do prestígio acumulado, o seu escritório de advocacia vem a ter renome, atuando em diversas causas nas comarcas de influência da universidade.
Essas circunstâncias indicam que o cargo ocupado pelo advogado seria um caso
A) abrangido pelas normas que criam regras de incompatibilidade para administradores públicos.
B) não previsto, vez que a atuação como dirigente de entidade pública é irrelevante para o sistema de incompatibilidades.
C) excepcionado diante da característica que o vincularia ao magistério público.
D) incluído no rol de incompatibilidades por não permitir que o advogado exerça cargo administrativo nas universidades públicas.

Gabarito
1) B
2) D
3) A
4) B
5) B
6) D
7) B
8) D
9) D
10) B
11) B
12) C
13) B
14) D
15) B
16) D
17) B
18) B
19) C

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Habeas Data

Garantia constitucional prevista no art. 5.º, LXII da CF e regulamentada pela Lei n. 9.507/97.
Destina-se a disciplinar o direito de acesso as informações, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público, para conhecimento ou retificação (tanto informações erradas como imprecisas, ou, apesar de corretas e verdadeiras, desatualizadas), todas referentes a dados pessoais, concernentes à pessoa do impetrante.
Essa garantia não se confunde com o direito de obter certidões (art. 5.º, XXXIV, “b”), ou informações de interesse particular, coletivo ou geral (art. 5.º, XXXIII). Segundo Michel Temer: “O habeas data também não pode ser confundido com o direito de obtenção de certidão em repartições públicas. Ao pleitear certidão, o solicitante deve demonstrar que o faz para defesa de direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal (art. 5.º XXXIV, “b”). No habeas data basta o simples desejo de conhecer as informações relativas à sua pessoa, independentemente da demonstração de que elas se prestarão à defesa de direitos”.1

Partes
  • Impetrante: qualquer pessoa, física ou jurídica.
  • Impetrado: pessoa jurídica portadora de informações do indivíduo, pública ou de caráter público.

OBS: o art. 1.º, parágrafo único, da Lei 9.507/97 considera ser de caráter público “todo registro ou banco de dados contendo informações que sejam ou que possam ser transmitidas a terceiros ou que não sejam de uso privativo do órgão ou entidade portadora ou depositária das informações”.

Características
  • Ação constitucional cível;
  • Intuitu personae (personalíssima);
  • É necessária, para o ingresso de habeas data, a recusa de informações pela entidade. Súmula nº. 2, STJ: “Não cabe o habeas data (CF, art. 5.º, LXXII, a) se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa”;
  • É cabível nos casos de demora na prestação de informações. Lei 9.507/97, art. 8.º, parágrafo único, I, II e III;
  • É isento de custas. CF, art. 5.º, LXXVII.

1 Elementos de direito constitucional, p. 212.
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 18. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2014. p. 1.161 – 1.163

domingo, 26 de outubro de 2014

Habeas Corpus

Trata-se de uma ação constitucional de caráter penal, ou seja, um remédio constitucional isento de custas, e que pode ser formulado sem advogado, não tendo que obedecer a nenhuma formalidade processual ou instrumental. De acordo com a redação constitucional, artigo 5°, LXVII "conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder".

Origem
Visto como a primeira garantia de direitos fundamentais, o habeas corpus eclodiu na Magna Carta, que por opressão dos barões, foi outorgada pelo Rei João Sem Terra em 1215, e formalizada, posteriormente, pelo Habeas Corpus Act, em 1679.
No Brasil, a primeira manifestação do instituto deu-se em 1821, através de um alvará emitido por Dom Pedro I, pelo qual se assegurava a liberdade de locomoção. A terminologia habeas corpus só apareceria em 1830, no Código Criminal.
Segundo o doutrinador Luiz Pinto Ferreira, “O habeas corpus nasceu historicamente como uma necessidade de contenção do poder e do arbítrio. Os países civilizados adotam-no como regra, pois a ordem do habeas corpus significa, em essência uma limitação às diversas formas de autoritarismo.”

Partes
  • Impetrante: autor da ação constitucional, podendo ser qualquer pessoa física (nacional ou estrangeira) em sua própria defesa, em favor de terceiro, podendo ser o Ministério Público ou mesmo pessoa jurídica (mas, em favor de pessoa física).
  • Paciente: é aquele que sofre a coação, a ameaça, ou a violência consumada (podendo ser o próprio impetrante).
  • Autoridade Coatora ou impetrado: autoridade que pratica a ilegalidade ou abuso de poder.

Espécies
  • Preventivo ou Salvo-Conduto: quando alguém se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.  Assim, bastará, pois a ameaça de coação à liberdade de locomoção, para a obtenção de um salvo conduto ao paciente (a restrição da locomoção ainda não se consumou).
  • Liberatório ou repressivo: quando já existe a violência ou coação da liberdade de locomoção.

De acordo com a teoria de Júlio Fabbrini Mirabete, “Embora desconhecida na legislação referente ao habeas corpus, foi introduzida nesse remédio jurídico, pela Jurisprudência, a figura da liminar, que visa atender casos em que a cassação da coação ilegal exige pronta intervenção do judiciário”. Através dessa visão é preciso alguns requisitos como, “o periculum in mora ou perigo na demora, quando há probabilidade de dano irreparável e o fumus boni iuris ou fumaça do bom direito, quando os elementos da impetração, indiquem a existência de ilegalidade”.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Questões sobre compra e venda

1 – Maria celebrou contrato de compra e venda da marca X com Pedro, pagando sinal de 10 mil reais. No dia da entrega do veículo, a garagem de Pedro (vendedor) foi invadida por bandidos, que furtaram o referido carro. A respeito da situação narrada verifique se o contrato de compra e venda já estava aperfeiçoado.
Não já que a compra e venda de veículo se aperfeiçoa com a tradição da coisa. Como ainda não ocorreu a efetiva entrega do bem, os riscos da coisa são do vendedor. Na situação acima Pedro deve, ainda, devolver o sinal de 10 mil reais pagos por Maria.

2 – Discrimine a natureza jurídica do contrato de compra e venda?
Consensual e (em regra) não solene;
Sinalagmático (ou bilateral);
Oneroso
Pode ser de adesão ou partidário;
Pode ser comutativo ou aleatório;
Pode ser de execução instantânea, continuada ou diferida.

3 – Quais são os elementos essenciais do contrato de compra e venda?
Da leitura do art. 482 do Código Civil é possível extrair os seguintes elementos essenciais do contrato de compra e venda:
a) o consentimento;
b) a coisa;
c) o preço.

4 – Contrato de compra e venda gera apenas direito pessoal, de caráter obrigacional? Explique.
Não. O objeto da relação jurídica de direito real é a coisa em si. Ao passo que a relação obrigacional dos direitos pessoais tem como objeto imediato a prestação que pode ser exigida pelo credor ao devedor.

5 – Contrato de compra e venda pode ter como objeto coisa futura? Cite exemplos e caso a coisa futura não venha a existir, quem responderá por esse infortúnio.
O Código Civil em seu art. 483 admite que a compra e venda tenha por objeto coisas atuais ou futuras.
Por coisa atual entende-se o objeto existente e disponível, ao tempo da celebração do negócio; a coisa futura, por sua vez, é aquela que, posto ainda não tenha existência real, é de potencial ocorrência. Imagine-se, por exemplo, a compra de uma safra de cacau que ainda não foi plantada. Em tal caso, o contrato ficará sem efeito se a coisa não vier a existir, consoante previsto no mesmo dispositivo, ressalvada a hipótese de as partes terem pretendido pactuar contrato aleatório.

6 – Quais são as possibilidades de definição ou ajuste de preço no contrato de compra e venda, segundo o Código Civil?
a) Em princípio o preço deverá ser fixado pelas próprias partes, segundo a autonomia de suas vontades.
b) Não há óbice, porém, a que o preço seja indicado por terceiro, a ser designado pelos próprios contraentes.
c) Nada impede, outrossim, que se deixe a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar (art. 486).
d) O art. 488 do Código admite a utilização do costume praeter legem, segundo as vendas habituais da parte vendedora, em caráter supletivo, caso o contrato seja convencionado sem fixação de preço ou de critérios para a sua determinação, e não houver tabelamento oficial.
e) Não havendo acordo, por ter havido diversidade de preço, prevalecerá o termo médio, ou seja, o valor médio resultante dos preços praticados pelo vendedor nos últimos tempos, na forma do parágrafo único do mencionado art. 488.

OBS: É nulo de pleno direito o contrato de compra e venda quando se deixe ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço (art. 489).

7 – No contrato de compra e venda que arca com as despesas do contrato e da tradição?
A resposta é encontrada no art. 490 do Código Civil:
Art. 490. Salvo cláusula em contrário, ficarão as despesas de escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo do vendedor as da tradição.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pena de Multa

Conceito
Modalidade de sanção de caráter patrimonial consistente na entrega de dinheiro ao fundo penitenciário.

Espécies
Originária: prevista no próprio tipo penal. Ex.: a pena do roubo é de reclusão, de 4 a 10 anos e, multa.
Substitutiva (vicariante): substitui a pena privativa de liberdade não superior a 1 ano, nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça praticados por réu primário, desde de que as circunstâncias do art. 59 sejam favoráveis.

Fixação
O juiz deve primeiro estabelecer o número de dias-multa, que será de, no mínimo 10, e, no máximo, 360. Em seguida, deve fixar o valor de cada dia-multa entre, no mínimo, 1/30 do salário mínimo, e, no máximo, 5 salários mínimos, de acordo com a condição econômica do acusado. Caso o juiz entenda que o montante é ainda insuficiente, poderá triplicar o valor de cada dia-multa.
O valor da multa deve passar por correção monetária a contar da data do fato.

Pagamento
A efetivação do pagamento da multa, por ato do condenado ou por desconto em seus vencimentos, gera a extinção da pena.

Não pagamento
Se o condenado deixar de pagar a multa, passarão a ser aplicadas as regras relativas à dívida ativa, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas de prescrição. A execução é promovida no juízo das execuções fiscais pela Procuradoria da Fazenda, sendo vedada a conversão em pena privativa de liberdade.

Superveniência de doença mental no acusado
Suspende a execução da multa

Sursis
Suspende somente a pena privativa de liberdade, e não a pena de multa aplicada cumulativamente.

Concurso de crimes
Em caso de concurso formal, crime continuado e concurso material, as penas de multa são sempre somadas.

Detração
É incabível na pena de multa

Direito penal esquematizado: parte geral / André Estefam e Victor Eduardo Rios Gonçalves; coordenador Pedro Lenza. – 3. ed. rev. e atual. – São Paulo: Saraiva, 2014. p. 529 – 537.